2016

Olá!

Faz tempo que não nos falamos, não?

Estou tentando parar para escrever esse post desde dezembro de 2015, mas só agora consegui. Queria dizer que, apesar deste blog estar oficialmente fechado até 2022, ano em que voltarei à China, eu sempre dou uma passadinha aqui pra tirar as teias de aranha, ler os comentários e relembrar coisas boas.

2015 foi um ano corrido para mim, não tive tempo de me dedicar ao mandarim, à China, a nenhuma leitura chinesa :( MAAAAAAAS 2016 promete muita coisa boa, porque é o ano do macaco e macaco é, simplesmente, o melhor signo chinês kkkkkkkkkkkkkkkk. (Façam as contas aí e adivinhem quantos anos eu tenho).

Faltam só seis anos para eu voltar à China! Está indo bem mais rápido do que eu imaginava!

Um beijo e me aguardem porque eu vou escrever antes de 2017 chegar (quero mostrar pra vocês a minha casa na China, agora que eu não moro mais lá acho que já estou pronta pra mostrar mais coisas!).

Zài jiàn! Até 2022!

O ano quase acabou e eu precisei vir aqui escrever esse post.
Olhe bem pra essa foto que acabei de tirar no meu banheiro:

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Faz um mês, mais ou menos, que a minha loção da Hada Labo acabou e eu não conseguia jogá-la fora (acabei de jogar). Eu não conseguia fazer isso porque, além dela ser uma das melhores coisas que aconteceram pra minha pele, seria um ato simbólico. Pouco a pouco, as coisas que eu trouxe da China estão acabando. E eu não queria que isso acontecesse, por isso mantive o blog aberto até hoje.
Mas a realidade é que a China já voltou a ser um lugar longínquo. Eu, infelizmente, não estou estudando mais mandarim, e, apesar de ter muitas conversas comigo mesma todos os dias em chinês, já percebo que me faltam palavras que eu tinha certeza que sabia.
É o preço de ter voltado para o Brasil e, principalmente, de ter virado mãe. Hoje as leituras são outras. As línguas são outras. E os interesses também.
Assim, fecho temporariamente esse blog até 2022, ano em que voltarei à China!
(Em 2015, minha promessa é de ir colocando os posts antigos novamente de pé por aqui. Mas nada de posts novos.)
Obrigada a todos que leram, comentaram e que eu pude conhecer por aqui. Vocês foram pra lá de generosos comigo. Xiè xiè ya.
(Pra vocês verem como estou largada do mandarim, esse iPad não tem nem o teclado chinês pra eu escrever uma despedida em hanzi.)
Ok, fui, senão eu vou chorar.

Sobre a igreja queimada e ser turista

Dia 28 do mês passado (julho) começaram a aparecer notícias de que a igreja católica construída por portugueses em Ningbo pegou fogo.

Não era uma igreja qualquer, era uma igreja construída em 1628, reconstruída em mil oitocentos e pouco, sobrevivente da revolução cultural e considerada patrimônio nacional nos últimos tempos.

Essa era a igreja antes:

20140820_igrejaantiga120140820_igrejaantiga2Algumas fotos do incêndio:

Igreja em chamas20140820_igrejaqueimando20140820_igrejaqueimando3E depois o que sobrou:

20140820_igrejaqueimada220140820_igrejaqueimada1Pelas imagens parece que não sobrou muita coisa, né?

Logo que eu vi a notícia eu fiquei pensando que eu passei pela igreja algumas vezes, mas nunca entrei. Das vezes que eu passei pela frente da igreja eu sempre pensava: “Ah, da próxima vez eu paro e tiro fotos com calma, ou algum dia eu venho especialmente pra fotografar”. Três anos e eu fui levando, fui deixando, vim embora e a foto ficou “pra próxima”.

Exceto que a próxima não vai dar mais.

Ningbo não era nem de perto uma super cidade turística. Mas ela tinha seus tesouros escondidos, essa igreja era um deles. Sei de outras pequenas preciosidades pela cidade que eu vi, passei, não entrei e sabe que não me arrependo disso?

Desde que eu voltei ao Brasil, comecei a pensar nesses lugares, bem antes da igreja pegar fogo, e eu acho que o fato de não ter ido turistar muito por Ningbo dá essa sensação de que eu realmente morei na cidade. Eu já morei em algumas cidades e em todas elas não visitei lugares turísticos importantes. Porque isso faz parte de ser morador, sabe? Esse misto de procrastinação por conta da vida corrida e desdém com o que se tem de mão beijada. De não ser turista, de ser local. Mesmo que local só por uns anos.