A pasta de dentes do dia da mãe

Então eu voltei para o Brasil após os quase três anos na China e comecei a me estranhar com a pasta de dente daqui. (Jesuis, tem que ser muito fresca pra reclamar disso.)
Eu já falei que estranhei a pasta quando cheguei na China? É porque quem comprou minha primeira pasta chinesa (não fui eu, óbvio) comprou o sabor local: chá verde. Joga “Darlie” no Google, clica em imagens e sente o drama. (Dica pra quem mora na China e passa por isso: Crest importada e, com muito cuidado, Colgate. Nem todas as da Colgate são boas, mas eu me lembro de uma 12-horas que tinha um sabor mais aceitável também.)
Mas voltando, cheguei ao Brasil e, quando acabou a minha pasta chinesa, eu comprei uma marca qualquer e – adivinhem – ela deixou a minha língua com gosto ruim. Tentei fingir que era só o sabor forte de hortelã brigando comigo e que isso seria uma questão de dias para me readaptar. Mas a bendita pasta teimou em não só deixar um gosto estranho como comecei a achar que a minha língua estava meio anestesiada. Perguntei pro Marido se ele tava percebendo o mesmo e nada. (E eu pensando que estava realmente tendo um ataque de frescura.)
Até que eu comentei isso com a minha mãe e – A-HÁ – ela também tinha percebido esse problema lingual ultimamente e já tinha uma solução: troca de marca, minha filha. (Sim, ela já tinha pesquisado e achado uma boa: Oral-B.)
A melhor coisa do mundo é compartihar genes (como o da língua hiper-sensível) com outrem, principalmente quando estes são MUITO ESPERTOS. (Gente, não é pra me gabar, afinal não é mérito meu a mãe que tenho, mas a minha mãe é muito esperta MESMO.)
Feliz dia da mãe, Dra. Silvia.

Diferenças culturais entre os fornos de micro-ondas

Preciso checar, mas eu acho que o meu microondas micro-ondas no Brasil é made-in-China (e o que não é?). No entanto, tem muitas diferenças entre ele e o que eu tinha na China.

Diferenças culturais.

Um se veste de vermelho e inox, fala mandarim e inglês. O outro prefere o branco discreto e só fala português (além de ser um pouco retrógrado ao não se render ao novo código ortográfico da língua portuguesa à tomada de três pinos).

Mas o que pega mesmo não é isso. O chinês apitava que era uma coisa. No começo, isso me irritava. Se não desse atenção pra ele logo depois do primeiro apito, ele apitava de novo (me arrependo de não testar à exaustão quantas vezes ele apitaria se eu não abrisse sua porta. Será que infinitamente?)

Quando cheguei à China, eu estava acostumada com o brasileiro, tímido, que apitava uma única vez. Agora, de volta ao Brasil, me peguei hoje criticando-o: nossa, como apita pouco, poderia esquecer o que eu esquentei lá e ele nem pra avisar, que folgado.

O ditado é brasileiro, mas se aplica bem à vida na China:

“Quem não chora, não mama.”

Como trazer uma bíblia, deixá-la na China e, ao mesmo tempo, levá-la de volta

Em alguma época, há não muito tempo, todas as bíblias que entravam na China carregadas por estrangeiros eram registradas e tinham que, obrigatoriamente, sair. Para cada uma que entrava, uma tinha que sair.
Então, como os religiosos conseguiam contrabandear bíblias por estas bandas?
Simples. Trazendo quatro. Quatro bíblias iguais entravam e eram devidamente registradas no aeroporto. De cada uma delas, era tirado um quarto e de quatro quartos, montada uma inteira. Depois, as quatro saíam da China. O oficial do aeroporto só não sabia que elas saíam mais leves.
Essa uma única bíblia que ficava ainda era copiada a mão por alguém, na calada da noite, sob a luz de uma vela, de pouquinho em pouquinho. Uma cópia por ano. Parece coisa de monge enclausurado.